Adele é capa da edição de dezembro da revista Vanity Fair, (confira as fotos aqui), onde à cantora também concedeu uma entrevista “crua, verdadeira e divertida”, na qual ela fala abertamente de assuntos como sua experiencia como mãe, depressão pós-parto e o seu relacionamento com o seu namorado-marido.

Confira abaixo a tradução completa da entrevista:

O Porsche Cayenne S.U.V preto arranca até a entrada do hotel. Adele está atrás do volante e sozinha no carro. Quando entro, ela me diz que adora dirigir sozinha – embora haja um discreto detalhe de segurança num veículo a nossa frente. Estamos a caminho do Staples Center para o segundo dos oito shows lotados em Los Angeles da sua turnê mundial que passará por 43 cidades. Ela está vestindo uma blusa branca de algodão sobre uma calça legging preto e uma sapatilha bege. Um bracelete da Van Cleef & Arpels com joias redondas e coloridas em seu braço direito. Seu cabelo está amarrado para cima deixando seu rosto à vista e seus enormes olhos verdes estão cobertos por um óculos escuro e, sem maquiagem, ela é naturalmente linda.

Ela é gregária e totalmente à vontade, e nós imediatamente começamos a falar sobre LA. Ela comprou recentemente uma casa em Beverly Hills porque ela gasta bastante tempo gravando aqui e ela cansou de alugar casas que não eram apropriadas para o seu bebê, ou privada o suficiente, ou a piscina estava estragada e isso foi uma perda de dinheiro. No show da noite anterior, ela deu um alô para seu novo supermercado favorito em LA, o Bristol Farms. Ela delira sobre o queijo balsâmico, “eu comi a coisa toda”, e nós de alguma forma seguimos nos preparando. Ela me mostra suas longas unhas postiças que ela diz que irá tirar ao fim de sua turnê. Ela disse que esperou semanas para fazer as sobrancelhas, pois a única mulher que ela deixa tocar nelas vive em Los Angeles e como, depois de um mês, ela raspou as pernas pois achava que as pessoas que estavam na primeira fila de seus shows iriam vê-las quando ela corresse de um palco para o outro. Pergunto se Simon Konecki (seu namorado de cinco anos e pai do seu filho de quatro anos, Ângelo) se importava com suas pernas sem depilar. “Ele não tem escolha”, diz ela. “Eu não vou deixar nenhum homem me dizer que tenho que raspar as pernas. Raspe a sua!” Estamos no caso há cerca de 10 minutos quando ela começa a falar sobre as alegrias e conflitos da maternidade. Digo que ela foi corajosa de ter tido uma criança no meio de uma carreira tão grande e tão bem-sucedida. “Na verdade, eu acho que a coisa mais corajosa é não ter um filho; todos os meus amigos e eu nos sentimos pressionados para ter filhos, porque é isso que os adultos fazem. Eu amo meu filho mais do que qualquer coisa, mas diariamente, se eu tenho um minuto ou dois, eu desejo fazer o que eu quiser fazer, sempre que eu quiser. Todos os dias eu me sinto assim”.

Eu pergunto se ela quer ter mais filhos e ela diz que não pensa tanto. Eu digo que as mulheres muitas vezes querem dar um irmão aos seus filhos, mas Simon tem uma filha de seu antigo casamento e que faz bastante parte da vida deles, então Ângelo já tem uma irmã. “Exatamente”, diz ela. “Então esse é o meu cartão de saída da prisão. Eu estou com muito medo. Eu tive uma grave depressão pós-parto depois que dei à luz ao meu filho, e isso me assustou”. Se ela tomou depressivos? “Não, não, não, não. Mas também eu nunca falei com ninguém sobre isso. Eu estava muito relutante… meu namorado diz que eu deveria falar com as outras mulheres que estão grávidas, e eu disse: “foda-se, eu não estou andando por aí com um bando de grávidas e outras mulheres com crianças. Você vai estar falando com alguém, mas você não será realmente ouvida, porque você está cansada para caralho”. “Meus amigos que não tem filhos ficarão irritados comigo”, ela continua. “Enquanto eu sabia que eu poderia simplesmente sentar lá e sentar com meus amigos que têm filhos e não nos julgamos uns aos outros. Um dia eu disse a minha amiga: ‘eu odeio isso’, e ela simplesmente explodiu em lágrimas e disse: ‘eu também odeio isso’ e estava feito. Meu conhecimento sobre pós-natal – ou pós-parto como chamamos na Inglaterra – é que você não quer estar com seu filho, porque você está preocupada em machucar o seu filho.

Você está preocupada em não estar fazendo um bom trabalho. Mas eu estava obcecada com o meu filho. Eu me senti muito insuficiente, eu sentia como se tivesse feito a pior decisão da minha vida… ela [depressão pós-parto] pode vir de muitas formas diferentes. Eventualmente eu disse que iria ter uma tarde por semanas apenas para fazer qualquer merda que eu quiser, mas sem o meu filho. Um amigo meu disse: ‘Sério? Mas você se sente mal?’, eu disse: ‘Eu sinto, mas não me sinto tão mal como se eu não fizesse isso’. Quatro amigas minhas se sentiram da mesma forma que eu me sentia, e todo mundo estava muito envergonhado de falar sobre isso. Elas pensaram que todos achariam que elas fossem uma má mãe, o que não é o caso. Faz de você uma mãe melhor se você der a você mesma um tempo bom. Eu estou gostando de fazer turnês, mas ao mesmo tempo eu me sinto culpado porque eu estou fazendo essa turnê maciça, e mesmo que meu filho esteja comigo o tempo todo, em certas noites eu não consigo colocá-lo na cama. Eu nunca me sinto culpada quando eu não estou trabalhando. Você está constantemente tentando compensar coisas quando se é mãe. Eu não me importo, por causa do amor que sinto por ele. Eu não me importo se eu não conseguir fazer alguma coisa para mim mesma novamente”. E enquanto ela trabalha, é claro, tem uma babá, e ela nitidamente não é uma daquelas famosas que entrega o filho a babá depois de tirar uma foto num falso parque de diversões.

Falamos sobre a eleição presidencial nos Estados Unidos. “Nós apenas conhecemos o Trump do The Apprentice”, ela diz, “então nós pensamos que ele é uma estrela de reality concorrendo à presidência. Eu só não acho que ninguém deve construir muros ou merda nenhuma do tipo assim agora. Acho que precisamos cuidar um dos outros. Todo mundo deve votar”. Ela me diz como, quando ela não podia falar por sete semanas depois de uma cirurgia vocal em 2011. “Eu escrevia tudo. O que é bom, porque eu estava no início do meu relacionamento com meu namorado e agora temos o registro de tudo isso para contar para os nossos filhos”. Ela acrescenta que ela e Simon não são casados e ela não precisa disso. Ela acha que ter um filho juntos é o maior compromisso. E em sua vida real [não profissional], ela é ferozmente privada e tão protetora de seu filho. Ela diz: “Eu processaria a bunda fodida de qualquer um que chegasse perto do meu filho”.

Enquanto nós caminhávamos em direção aos bastidores do Staples Center, ela – uma vencedora de 10 Grammys – diz que está “nostálgica” nesta arena porque a premiação acontece aqui. Entramos em seu grande e privado camarim e notei que ela é mais alta do que eu imaginava – ela me diz que mede sete pés e nove. Ela tira os sapatos e caminha descalça pelo tapete. O camarim tem cortinas brancas, grandes sofás e uma televisão na parede. Em uma parte da sala há uma área de recreação infantil que é montada por uma moto de brinquedo, uma cozinha de brinquedo com pequenos potes, panelas, xicaras e pires, jogos, uma caixa Crayola e alguns livros. Velas perfumadas da Rose and Baies estão acesas e há uma mesa cheia de maquiagens do outro lado. Ela diz que temos mais 20 minutos para conversar, ela terá que fazer a passagem de som por 10 minutos e então poderemos conversar enquanto ela está fazendo a maquiagem. Eu pergunto se ela é sempre tão organizada. Ela admite que ela sempre esteve em controle total e confortável em seu corpo. “Provavelmente é da minha educação. Eu venho de uma família muito grande de muitas mulheres que fizeram tudo sozinhas”. Mais tarde, seu empresário, Jonathan Dickins – a única pessoa que ela diz que confia completamente além de seu namorado – me diz: “eu a conheci quando ela vivia em uma loja de conveniência perto de um posto de gasolina e entrava num quarto e não se importava se estava falando com o zelador ou com o presidente de uma gravadora. Essa era ela aos 18 anos e essa é ela aos 28 anos. Completamente serena, completamente sua própria mulher”. Adele diz: “Minha vida inteira gira em torno do meu filho, então tudo é cronometrado porque ele está em uma rotina”.

Nós nos sentamos no sofá e eu pergunto se ela ainda tem seu pavor de subir no palco para grandes públicos. “De uma maneira diferente”, diz ela. “Eu fico nervosa, ao contrário de ânsias de vomito e tentativas de evitar o palco”. Ela diz que não tem que fazer turnê, e ela não entende por que as pessoas são viciadas em turnês. “Eu ainda gostaria de fazer discos, mas eu ficaria bem se eu não ouvisse mais [os aplausos] novamente. Eu só estou em turnê para ver todas as pessoas que tem me dado suporte. Eu não me importo com o dinheiro… eu sou britânica e nós não temos disso de ter que gastar dinheiro o tempo todo. Eu não venho do dinheiro e não é uma parte tão importante da minha vida. Obviamente eu tenho coisas boas e eu moro em um bairro mais agradável do que eu cresci. Esse era o meu objetivo desde os sete anos de idade: era ‘eu não quero continuar vivendo aqui’. Eu não me importava como seu sairia, eu não me importava da onde eu iria viver, mas eu sabia que eu não ia querer continuar morando lá. Eu amo ser famosa por minhas músicas, mas eu não gosto de estar nos olhos do público. Adoro fazer músicas e adoro fazer shows, e eu precisava voltar ao trabalho – não por dinheiro, mas porque algo estava faltando. Eu não estava criando música. Mas há uma enorme diferença entre o que eu faço no meu trabalho e o que eu faço na minha vida real. Eu acho que ninguém deveria ser famoso para ir ao supermercado ou a um parque infantil”. Ela me diz que, quando ela ficou famosa, as pessoas de sua família venderam muitas histórias sobre ela e amigos de infância venderam fotos. “Eu aprecio quando há dinheiro [envolvido]”, ela diz, “mas você poderia ir buscar um emprego. O problema é que você não pode falar sobre a desvantagem da fama, por que as pessoas têm esperanças, e eles se apegam a esperança de que eu queria ser famosa, ser adorada, ser capaz de criar e fazer coisas legais”. Além disso, ela acrescenta: “o dinheiro faz com que todos ajam de uma forma tão bizarra. É como se eles ficassem intimidados por ele, como se eu estivesse usando meu maldito dinheiro”.

Aqui uma nota sobre sua risada, que vem muitas vezes e tem sido descrito como um “cacarejar”, mas é realmente mais uma explosão estridente de apreciação em algo que ela ou outra pessoa disse. Segundo Beyoncé: “é tão fácil falar com ela e estar perto dela. A coisa mais linda sobre Adele é que ela tem suas prioridades alinhadas. Ela é uma mulher graciosa e o ser humano mais humilde que eu já conheci”.

Adele Laurie Blue Adkins nasceu há 28 anos atrás em Tottenham, em Londres, e foi criada principalmente por sua mãe solteira, Penny, com a ajuda de seus avós paternos. Aos sete anos de idade ela soube que poderia cantar e passou anos em seu quarto cantando personificando a cantora britânica Gabrielle e as Spice Girls. Ela se formou na BRIT School for Performing Arts and Technology em 2006 e foi rapidamente “descoberta” em uma demo publicada no MySpace e assinou com a gravadora britânica XL aos 18 anos. Na mesma época, ela fechou contrato com a agência de gerenciamento Dickins – que vem de uma família musicista e empresária musical – e eles tem sido sua equipe desde então. Em 2008, ela lançou seu álbum de estreia, “19”, que teve o sucesso “Chasing Pavements” e em outubro de 2008 ela fez uma aparição no Saturday Night Live (na mesma noite em que Sarah Palin estava) e iniciou sua carreira nos EUA – onde seu álbum já foi certificado 3x platina. Antes do lançamento do “19”, quando ela ia fechar um contrato com uma gravadora norte americana, ela foi para a Columbia Records, cujo presidente e CEO Rob Stringer, diz: “Ela andou pelo nosso corredor com um cigarro na boca, e ela viu as fotos de Barbra Streisand, Bob Dylan e Beyoncé e estava tipo, literalmente, “sim, eu vou estar bem aqui”. Ela ganhou dois Grammys em 2009, e o restante é um constante, uma extraordinária década de duração para um cantor que que não dança, não faz grandes número super produzidos, não se veste como uma stripper, não usa playback, não endossa todos os produtos comerciais e não usa as palavras “minha marca”. Rob Stringer diz: “Ela tem tempo para realmente pensar sobre sua música, porque ela não está gastando todo o seu tempo fazendo shows privados ou comerciais da Cola-Cola”.

Tudo isso levou Adele a grandes vendas de discos em uma era onde as pessoas pararam de comprar discos. Em janeiro de 2011, ela lançou seu segundo álbum, “21”, com os singles “Rolling In The Deep” e “Someone Like You”. Ela ocupou o primeiro lugar na parada da Billboard por 24 semanas e ficou entre os 5 mais vendidos do chat por cerca de 39 semanas – o maior feito da história da Billboard. Em 2011 e 2012, o “21” foi o álbum mais vendidos dos dois anos e isso foi o primeiro ocorrido após Michael Jackson liderar os anos 1983 e 1984 com o “Thriller”. O “21” já vendeu 35 milhões de cópias até o momento. Ela varreu o Grammy em 2012 levando 6 estatuetas, incluindo Gravação do Ano, Música do Ano e Álbum do Ano. O produtor Rick Rubin, que trabalhou com ela no “21”, diz: “Além de uma voz única, Adele tem um dom puro para composições. Nós sempre discutimos como tirar o máximo proveito das músicas, nunca se acomodar. Todas as canções sempre começaram com ela e às vezes ela gostava de ter um colaborador para ajudá-la a superar a linha de chegada, mas todo o trabalho vem diretamente dela”.

Em dezembro de 2013, o príncipe Charles apresentou Adele no Britain’s M.B.E. for Services to Music. Seu terceiro álbum, “25”, de 2015, passou 10 semanas no topo dos charts nos Estados Unidos. O vídeo do primeiro single, “Hello”, foi visto cerca de 1.6 milhões de vezes em cada hora em seus dois primeiros dias de lançamento. E recentemente, rumores confirmaram que ela negociou com a Columbia Records um contrato por uma garantia sem precedentes de 130 milhões de dólares. De acordo com o Stringer, “este ano, o 25 vendeu 10 milhões de álbuns físicos e digitais – facilmente o dobro de qualquer outro artista”. Adele também ganhou um Oscar pelo tema de James Bond, “Skyfall”, em 2013, “Adele Live in New York City” recebeu quatro indicações ao Emmy e é esperado que ela receba várias indicações ao Grammy desse ano pelo “25”. De acordo com seu amigo James Corden, o apresentador de TV do Late Late Show cujo o episódio do Carpool Karaokê com Adele teve mais de 130 milhões de visualizações, diz: “Ela é a maior estrela do planeta, e ainda assim está no mundo conosco. Como intérprete, ela nos representa. Todos os sentimentos que ela expressa em suas canções são sentimentos que todos nós temos. Ela é fiel a si mesma e completamente autêntica”.

Um dia depois do segundo show da Adele em LA, em seu dia de folga, nos encontramos em uma sala privada na Soho House para um lanche. Ela chega exatamente na hora certa, usando uma túnica preta e sandálias de gladiador. Seu cabelo está para cima e, mais uma vez, ela está sem maquiagem. Ela diz que não pode mais beber cafeína, então pede um café descafeinado, um sanduíche de abacate e compartilha minhas batatas fritas. Ela checa seu telefone apenas uma vez – para certificar que seu filho está cochilando – e conversamos por mais de duas horas. Discutimos seu show e como ela consegue fazer toda a arena parece íntima. Ela leva algumas pessoas da plateia para o palco para dar alguns abraços ou, no caso da noite anterior, um plugue – quando ela trouxe uma cover de si mesma chamada Delta Work, que anunciou sem vergonha suas próprias aparições em público. A verdadeira Adele altera quatros vestidos idênticos da Burberry em seus shows, e depois do show ela faz uma rápida troca para entrar no carro e ir para casa com o Simon. “É como o American Got Talent”, ela diz. Ela fica ‘chateada’ quando vê as pessoas na plateia dos seus shows mexendo em seus celulares (para não citar ela chamando um membro da plateia no show em Verona, na Itália, que estava filmando ela com uma câmera profissional e um tripé). “As pessoas preferem ter uma foto para mostrar as pessoas do que realmente desfrutar o momento”, ela diz. “É estranho. Quando eu comecei, há quase 10 anos, ninguém tinha seus telefones. Eu ia ao palco para as pessoas. Agora eu vou para o palco para 18 mil telefones celulares. É bonito por causa das luzes, mas ninguém está realmente olhando para o mundo real a sua volta enquanto eles estão em seus telefones o tempo todo. Além disso, este Wi-Fi, vai acabar te matando por dentro… é apenas circular ao redor. Estou dizendo, vamos descobrir em 25 anos”.

Nós não pedimos bebidas alcoólicas. Ela diz que costumava ser uma “bebum maciça”, mas desde a sua cirurgia vocal e o nascimento de seu filho, ela parou de fumar e agora pode tomar dois copos de vinho por semana. “Ter ressaca com uma criança é terrível”, diz ela. “Imaginem um chato de três anos que sabe que algo está errado. É o inferno”. Ela diz que nunca teve qualquer interesse em drogas, porque quando ela era mais jovem alguém de sua família morreu de uma overdose de heroína e é isso. “Estou tinha muito medo de viciar em drogas. Eu costumava gostar de estar bêbada, mas eu acordaria na manhã seguinte e pensaria: ‘que diabos eu disse e com quem eu falei?’. Eu nunca tive apagões, mas quando você está bêbado e está em uma festa, você acaba indo falando com alguém. Eu posso ver em uma perspectiva ampla que eu nunca escreverei músicas tão boas como as que estão no álbum “21”, mas eu não sou tão indulgente como eu era, então, eu não tenho tempo para desmoronar como eu tinha feito nele. Eu estava completamente fora de mim escrevendo esse álbum, em uma linguagem bêbada e honesta. Eu tinha o dever de ter duas garrafas de vinho perto de mim e uma fumaça de cigarro. Então eu escrevo músicas quando estou para baixo e na manhã seguinte eu penso: ‘Caramba, isso é muito bom’. Então eu coloco a melodia. Mas desde que eu tive o meu bebê, eu não sou tão despreocupada como eu costumava ser. Agora tenho medo de muitas coisas porque eu não posso morrer. Eu quero estar perto do meu filho. Eu sou muito cautelosa, de uma forma que eu nunca fui cautelosa antes. Se fosse antes eu nunca deixaria de fazer nada que eu pudesse morrer, mas agora eu saio do meu caminho para evitar qualquer coisa que seja realmente perigosa, como caminhar ao longo de uma calçada. Eu prefiro andar na grama ou no gramado ao invés do pavimento, no caso de um carro me atropelar. Além disso, eu não saio tanto quando eu costumava sair, eu vou a jantares muito civilizados e eu vou à trabalho, mas você tem que literalmente me arrastar para o maldito tapete vermelho”.

Ela diz que se considera uma “admiradora” mais do que uma cantora, e que os cantores que ela admira são “incríveis e eles estão em outro nível”, como suas influências antigas Etta James e Ella Fitzgerald. Ela ama Beyoncé, que ela diz ser constante em sua vida desde quando ela tinha 11 anos e ouviu “No, No, No” do Destiny’s Child. “Ela é o meu Michael Jackson”, diz Adele. As outras duas mulheres que ela diz reverenciar são Stevie Nicks – “Não consigo encontrar palavras para descrever o quanto eu a amo” – e Bette Midler. Sobre Bette, Adele diz: “Eu obviamente a amei por anos. Eu gosto do seu humor, mas ela é uma grande cantora, uma cantora realmente incrível. Quando eu assisti ao seu show, eu senti como se estivesse assistindo a última lenda. Ninguém será como ela nunca mais”. Ambas as mulheres têm sentimento recíprocos por Adele. “Adele é uma das maiores”, diz Stevie Nicks. “É muito gratificante ver seu sucesso. [Sua música] ‘When We Were Young’ me faz chorar. Acho que ela pode fazer o que quiser e eu acho que ela fará tudo”. E Bette, que esteve no show de Adele no Staples Center na noite passada, me disse: “A voz da Adele é tão linda, tão flexível, e ela pode fazer qualquer coisa com isso. A principal coisa é que ela te alcança aonde você está. Ela é totalmente hilariante e seus shows são um tumulto não só por causa da música e da musicalidade, mas sua conexão completa com seu público e sua capacidade de fazê-los rir e depois de um tempo debulhar em lágrimas”.

Adele diz: “Todos os dias, à medida em que envelheço, eu aprecio cada vez mais as mulheres. Quando você está entre idades como 15 e 19 anos, talvez você veja as mulheres como concorrência, em oposição aos salva-vidas e as pessoas que prendem sua mão e experimentam praticamente tudo o que você tem. Assim, quanto mais mulheres em minha vida, melhor”. Quanto a sua relação com Simon (que comanda o sem fins lucrativos Drop4Drop), Adele atribui a sua diferença de idade (ele é 14 anos mais velho do que ela) como razão pela qual ele é tão confortável com seu sucesso. “Eu não tenho nenhum desejo de estar com ninguém do mundo dos famosos, porque todos temos ego. Ele não está ameaçado por qualquer fase da minha na qual eu possa ir, e isso é uma coisa incrível. É o relacionamento mais sério que eu já tive. Temos um filho juntos e moramos juntos. Depois que eu lancei meu primeiro álbum, todas as pessoas com quem eu estive ficaram tão inseguras sobre si mesmas – elas não conseguem lidar com isso. Quando eu tento descrever isso para os meus amigos eles nem sempre conseguem, porque eles saem como pessoas da nossa idade fazem, mas Simon já sabe quem ele é, e eu ainda estou me tornando quem eu vou ser. Ele é confiante. Ele é perfeito”.

Pergunto o por que, durante o momento de conversas em seu show, ela se refere às suas canções como “miseráveis” quando na verdade eles são realmente reflexivas. Ela diz: “A música sempre me atraiu para a tristeza. Sempre fui muito melancólica. Obviamente, não tanto na minha vida real como as músicas são, mas eu tenho um lado muito escuro. Estou muito disponível para a depressão. Posso entrar e sair facilmente. Começou quando meu avô morreu, quando eu tinha uns 10 anos, e enquanto eu nunca tive um pensamento suicida, eu estive muito na terapia. Mas”, ela enfatiza, “eu nunca mais tive esse sentimento desde que dei à luz ao meu filho e sai da minha depressão pós-parto”. E quanto a todos os seus ex namorados eram sujeitos ao desgosto de suas canções? “Há uma razão pela qual eu os amei uma vez”, ela diz, “e por um tempo o ódio ficou no caminho. Mas eu sou adulta agora, e sou uma mãe, e eu sou muito menos mal-intencionado. Eles eram pessoas interessantes, e enquanto não somos amigos e não os vejo regularmente, eu os vi e está tudo bem”.

Pergunto se ela era um retardatário relutante em serviços de streaming de música, e ela diz: “Eu queria provar um ponto. Todo mundo disse que os streamings são o futuro. Bem, no futuro, ainda não estaremos no futuro. Eu queria provar o ponto que, se as pessoas gostam de uma boa gravação, eles devem sair e comprá-los. E eles fizeram isso”. Ela diz que está nisso por “um longo prazo” e, enquanto ela talvez nunca possa fazer uma turnê tão longa quanto essa novamente, talvez, um dia, ela faça 20 shows em um lugar, como em Las Vegas. E ela adoraria estar na Broadway, especificamente interpretando a parte de Mama Rose em Gypsy. Mas, ela diz, “tipo quando eu estiver nos meus 50 anos”.

Enquanto nos afastamos e ela se prepara para ir embora com Simon e seu filho, ela diz: “Eu quero cantar essas músicas quando eu tiver 70 anos. Para ter uma música, ou qualquer canção – e muito menos eu tive quatro ou cinco que têm ressoado tanto com as pessoas – é por isso que eu faço música”. Mas, ela acrescenta: “Todos os meus relacionamentos são muito importantes para mim do que qualquer turnê que eu faça. Se meu relacionamento com Simon ou com Ângelo passar por algum problema agora, eu sairia da minha turnê. Minha vida é mais importante para mim do que qualquer coisa que eu esteja fazendo, por que como eu gravaria um maldito CD se eu não tivesse uma vida? Se eu não tiver uma vida, o jogo acaba de qualquer jeito”.

Tradução por Pablo Henrique by: ABR